“Place a beehive on my grave and let the honey soak through, when i am dead and gone that's what I want from you. The streets of heaven and gold and sunny, but I'll stick with my plot and a pot of honey. Place a beehive on my grave and let the honey soak through.”

Sue Monk Kidd

sábado, 25 de maio de 2013

Perdas e conquistas




Por onde começar? A maioria das pessoas pensaria que pelo início seria o melhor caminho a seguir. Para mim não importa por onde se começa, mas sim no que vai terminar este texto. Em tristeza? Em felicidade? Não sei. No preciso momento, o que sinto é um misto destes dois sentimentos. Referir-me a amizades como perdas e conquistas é algo que me deixa tanto contente, por ter pessoas na minha vida que me apoiam e me amam, mas por outro lado de tristeza, por ver que ao longo da minha jornada, por erros meus ou por circunstâncias que nada nem ninguém conseguiram controlar, amizades foram assim perdidas e acredito hoje, que dificilmente serão recuperadas.
Começo por falar das partes boas; das conquistas. É óptimo saber que dia após dia encontro nas minhas amizades, a força, o apoio, a base para a felicidade, que considero essenciais na minha formação como ser humano. Hoje tenho poucos a quem posso chamar amigos, mas posso garantir que apesar de serem poucos, são os melhores que alguma vez conheci. Dentro e fora do meu dia rotineiro, tive oportunidade de conhecer pessoas magnificas com quem lido e com quem partilho momentos de felicidade plena. Mais que amigos, tenho companheiros, tenho pessoas que guardo todos os dias no meu pequeno/grande coração. Almoços, um bom copo de vinho, um simples café, uma ida ao cinema ou até mesmo, quando a carteira permite, um jantar fora servem para compartilhar com o meu mundo que me sinto bem junto deles. Preciso de amigos, como toda a gente neste mundo precisa. Alguém que me apoie nos momentos difíceis, mas que também me saiba corrigir e chamar á atenção quando erro, pois isso é também um ponto a valorizar numa amizade. A capacidade de sermos criticados, de sermos corrigidos e de aprendermos a dizer: Eu errei, tinhas razão. Agradeço todos os dias pela felicidade que conquistei com estas pessoas com quem compartilho o meu dia-a-dia. Sou grato por encontrar nestas pessoas, uma segunda família, um segundo lar, um segundo aconchego. Não trocaria as minhas amizades por dinheiro nenhum deste mundo, disso sou capaz de jurar.
No entanto, nem tudo é como sempre quis que fosse. Agora vem a parte negativa; as perdas. É dessas das quais, mais me custa falar, pois o sofrimento pelo sentimento de perda é incalculável. Ninguém que não passe pela mesma situação, é capaz de imaginar o que significa perder um amigo, alguém de quem se gosta, alguém que faz parte de nós, que tem e terá sempre um lugar marcante no nosso coração e na nossa memória.  Se gostava de recomeçar do 0 com algumas pessoas que considero ainda marcantes na minha vida, direi com a maior certeza e sinceridade que sim. Custa-me muito, encontrar essas pessoas num corredor da faculdade, numa rua, estar frente a frente com elas, saber que em tempos já fomos amigos, e hoje não somos nada. Arrependo me todos os dias da minha vida, e o martírio é constante, por pensar que por erros meus, por ausência minha, por ser um idiota e não valorizar as maiores dádivas que a vida me deu, que são esses mesmos amigos que perdi, hoje somos completos estranhos. Se pedir perdão fosse o suficiente, perdão seria a primeira palavra que pronunciaria em direção a quem magoei. Mas a mágoa que causei foi maior. Fui, e hoje sinto-me um idiota, mas continuo a acreditar que todo o ser humano é merecedor de uma segunda oportunidade. E eu? Eu gostava de ter a minha. Gostava de poder voltar a sorrir com os amigos que perdi, gostava de voltar a saber que posso contar com eles, e fazê-los ver que podem contar comigo, independentemente do que for. Peço demasiado? Talvez sim, mas ainda assim, este é um dos meus maiores desejos. Recuperar amizades perdidas.
Em suma, sinto-me uma pessoa feliz por saber que tenho pessoas que me amam e que estão prontas para compartilhar momentos bons e maus comigo e vice-versa, mas por outro lado sinto me incompleto, vazio, triste. Pois perder alguém por quem ainda nutrimos sentimentos de amizade, é uma dor tão ou mais poderosa que a própria morte. Os que antes eram a minha base e aos quais hoje sou transparente, resta-me um sincero pedido de perdão. O primeiro passo supramencionado por mim neste texto reflexivo em que finalizo. O ser humano (eu, no particular caso) só dá valor às pessoas importantes, quando as perde, e talvez para sempre. Concluo este texto, com uma citação de Francis Bacon, que diz o seguinte: "Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto".

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