Have you lost your way?
Livin' in the shadow of the messages that you made
And so it goes
Everything inside your circle starts to overflow
Take a step before you leap
Into the colors that you seek
You give back what you give away
So don't look back on yesterday
Wanna scream out
No more hiding
Don't be afraid of what's inside
Gonna tell ya you'll be alright
In the Aftermath
Anytime anybody pulls you down
Anytime anybody says you're not allowed
Just remember you are not alone
In the Aftermath
You feel the weight
Of lies and contradictions that you live with every day
But it's not too late
Think of what could be if you rewrite the role you play
Take a step before you leap
Into the colours that you seek
You give back what you give away
So don't look back on yesterday
Wanna scream out
No more hiding
Don't be afraid of what's inside
Gonna tell ya you'll be alright
In the Aftermath
Anytime anybody pulls you down
Anytime anybody says you're not allowed
Just remember you are not alone
In the Aftermath
In the Aftermath
Before you break you have to shed your armor
Take a trip and fall into the glitter
Tell a stranger that they're beautiful
So all you feel is love, love
All you feel is love, love
Wanna scream out
No more hiding
Don't be afraid of what's inside
Gonna tell you you'll be alright
In the Aftermath
Wanna scream out
No more hiding
Don't be afraid of what's inside
Gonna tell ya you'll be alright
In the Aftermath
Anytime anybody pulls you down
Anytime anybody says you're not allowed
Just remember you are not alone
In the Aftermath
In the Aftermath
Gonna tell ya you'll be alright
In the Aftermath
In the Aftermath
Just remember you are not alone
In the Aftermath
Music by Adam Lambert
“Place a beehive on my grave and let the honey soak through, when i am dead and gone that's what I want from you. The streets of heaven and gold and sunny, but I'll stick with my plot and a pot of honey. Place a beehive on my grave and let the honey soak through.”
Sue Monk Kidd
Sue Monk Kidd
segunda-feira, 26 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Adoro-te
Por onde começar? Como dar seguimento a tudo isto? Não sou bom com palavras, não sou um escritor, mas o que escrevo, sai me do coração, com sentimento e com sinceridade. E é com a mais pura sinceridade que escrevo, que abro o meu coração e exponho o que estou a sentir, o que tenho vindo a sentir desde o momento em que nos afastámos.
Parece que foi ontem, que os nossos olhares se trocaram.
Pareceu me que seria eterno, que o sentimento era mutuo e que finalmente teria encontrado alguém que realmente me amava, que me compreendia, que acima de tudo, completava o vazio que em mim se havia instalado.
Quis sonhar contigo, quis amar contigo, quis passear contigo, quis dar-te a mão. Quis beijar-te e quis gritar com a mais pura das vozes "Amo-te". Palavra tão difícil para mim de pronunciar, tão plena de sentimento e tão pura, tendo para mim um significado imenso. Raramente a uso, mas contigo, senti que estava preparado para o fazer. Confesso que ainda hoje o quero, que ainda hoje sinto uma enorme e constante vontade de ouvir a tua voz ecoar aos meus ouvidos. O teu lindo sorriso, contagiante; os teus olhos, que com uma aura incessante, me foram hipnotizando e, a pouco e pouco, dando a conhecer a pessoa maravilhosa que tinha à minha frente.
I'll stand by you ficou marcada na minha vida desde esse dia em que, sentado ao órgão, me tocaste e cantaste essa doce melodia. Nesse dia, nessa tarde maravilhosa do dia 26 de Junho de 2011, atingi o auge do que sinto por ti e no entanto, as circunstâncias alteraram-se e tu afastaste-te. Ainda hoje sofro. Nesta busca interminável para recuperar ao menos a tua amizade, são testemunhas Deus e os que mais próximos me são da imensa tristeza e sofrimento que tenho vindo a passar desde o dia em que nos afastámos, sem como nem porque. Não quero com isto transformar-me numa vitima, nem tão pouco que sintas pena ou misericórdia de mim. Quero apenas que saibas que recuperar a tua amizade seria para mim um grande motivo de alegria, seria o começo de um novo dia. Sei que isto te parece uma obsessão, sinto que cada passo que dou, cada palavra que digiro com o intuito de recuperar a tua amizade, não serve senão para te afastar cada vez mais de mim.Já não sei o que fazer, já não sei mais o que dizer. Sinto-me a perder forças, sinto me a remar contra a maré. Sinto que perdi completamente a oportunidade de voltar a ser teu amigo. Sei que disseste que te querias afastar um pouco de tudo, e compreendi, mas ainda assim não deixo de me sentir triste por já nem sequer nos falarmos, de nos termos tornado dois completos estranhos. Ainda hoje me pergunto: o que nos aconteceu? Não sei, não encontro explicação para isso, mas digo que hoje dou valor ao que um dia alguém me disse:" O ser humano só dá valor a algo, ou neste caso, a alguém, quando realmente perde essa pessoa". E eu sinto que te perdi, para sempre. Não quero perder-te João. Não a ti. Pedir-te uma segunda oportunidade parece impossível, mas peço-ta ainda assim, peço-te que possamos começar do 0, construir uma amizade. Pedirei muito? Pedirei o impossível? Só tu mo poderás dizer. No entanto, não importa o que aconteça, guardo-te hoje na memória e, comigo unicamente carrego bons momentos contigo passados. Esperarei pelo dia em que os nossos caminhos se voltem a cruzar e que nos possamos voltar a sentar e a conversar, como dois amigos.
Adoro te imenso... You're my Songbird.
Com ternura,
Um beijo e um abraço enorme
Eduardo Sarmento
Parece que foi ontem, que os nossos olhares se trocaram.
Pareceu me que seria eterno, que o sentimento era mutuo e que finalmente teria encontrado alguém que realmente me amava, que me compreendia, que acima de tudo, completava o vazio que em mim se havia instalado.
Quis sonhar contigo, quis amar contigo, quis passear contigo, quis dar-te a mão. Quis beijar-te e quis gritar com a mais pura das vozes "Amo-te". Palavra tão difícil para mim de pronunciar, tão plena de sentimento e tão pura, tendo para mim um significado imenso. Raramente a uso, mas contigo, senti que estava preparado para o fazer. Confesso que ainda hoje o quero, que ainda hoje sinto uma enorme e constante vontade de ouvir a tua voz ecoar aos meus ouvidos. O teu lindo sorriso, contagiante; os teus olhos, que com uma aura incessante, me foram hipnotizando e, a pouco e pouco, dando a conhecer a pessoa maravilhosa que tinha à minha frente.
I'll stand by you ficou marcada na minha vida desde esse dia em que, sentado ao órgão, me tocaste e cantaste essa doce melodia. Nesse dia, nessa tarde maravilhosa do dia 26 de Junho de 2011, atingi o auge do que sinto por ti e no entanto, as circunstâncias alteraram-se e tu afastaste-te. Ainda hoje sofro. Nesta busca interminável para recuperar ao menos a tua amizade, são testemunhas Deus e os que mais próximos me são da imensa tristeza e sofrimento que tenho vindo a passar desde o dia em que nos afastámos, sem como nem porque. Não quero com isto transformar-me numa vitima, nem tão pouco que sintas pena ou misericórdia de mim. Quero apenas que saibas que recuperar a tua amizade seria para mim um grande motivo de alegria, seria o começo de um novo dia. Sei que isto te parece uma obsessão, sinto que cada passo que dou, cada palavra que digiro com o intuito de recuperar a tua amizade, não serve senão para te afastar cada vez mais de mim.Já não sei o que fazer, já não sei mais o que dizer. Sinto-me a perder forças, sinto me a remar contra a maré. Sinto que perdi completamente a oportunidade de voltar a ser teu amigo. Sei que disseste que te querias afastar um pouco de tudo, e compreendi, mas ainda assim não deixo de me sentir triste por já nem sequer nos falarmos, de nos termos tornado dois completos estranhos. Ainda hoje me pergunto: o que nos aconteceu? Não sei, não encontro explicação para isso, mas digo que hoje dou valor ao que um dia alguém me disse:" O ser humano só dá valor a algo, ou neste caso, a alguém, quando realmente perde essa pessoa". E eu sinto que te perdi, para sempre. Não quero perder-te João. Não a ti. Pedir-te uma segunda oportunidade parece impossível, mas peço-ta ainda assim, peço-te que possamos começar do 0, construir uma amizade. Pedirei muito? Pedirei o impossível? Só tu mo poderás dizer. No entanto, não importa o que aconteça, guardo-te hoje na memória e, comigo unicamente carrego bons momentos contigo passados. Esperarei pelo dia em que os nossos caminhos se voltem a cruzar e que nos possamos voltar a sentar e a conversar, como dois amigos.
Adoro te imenso... You're my Songbird.
Com ternura,
Um beijo e um abraço enorme
Eduardo Sarmento
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Veneno Letal
Despoja-te de hipocrisias meu amor,
pois as palavras de desejo por ti antes proferidas,
não passam hoje senão de mortais flechas envenenadas.
Envenenadas sim.
Onde repousa dor, mágoa, sofrimento.
Todo este fingimento foi duradouro.
Puro masoquismo na minha teoria de existência.
Hoje regurgito esse veneno que depositaste em meu corpo,
e devolvo-te num cálice, o suco da morte.
Quero que sofras, quero que chores e que transpires por todos os poros
essa maldade que te consome.
Exorcita-te e liberta-te de exuberâncias falaciosas.
Aprende a amar.
O reverso da medalha está ao virar de cada esquina,
e quando dobrares a próxima, lá me encontrarás
para que o meu nome te ecoe aos ouvidos e te lembre de quem te amou e a quem tu fizeste sofrer, a quem causaste dor e mágoa.
A minha pérola reservou-se novamente no fundo do mar, num abismo tão profundo,
que só o mais puro dos sentimentos a poderá voltar a encontrar e trazer-la à superfície.
Esta pérola, que por ser minha, brilha e ilumina o novo dia que se avizinha.
Não tenho mais senão pena. Pena de ver-te sucumbir como uma cobra,
engasgada com o próprio veneno.
Morre! Morre e abandona-me. Só assim poderei voltar a emergir das profundezas
Onde tu um dia me deixaste . . .
Edward Sarmento
pois as palavras de desejo por ti antes proferidas,
não passam hoje senão de mortais flechas envenenadas.
Envenenadas sim.
Onde repousa dor, mágoa, sofrimento.
Todo este fingimento foi duradouro.
Puro masoquismo na minha teoria de existência.
Hoje regurgito esse veneno que depositaste em meu corpo,
e devolvo-te num cálice, o suco da morte.
Quero que sofras, quero que chores e que transpires por todos os poros
essa maldade que te consome.
Exorcita-te e liberta-te de exuberâncias falaciosas.
Aprende a amar.
O reverso da medalha está ao virar de cada esquina,
e quando dobrares a próxima, lá me encontrarás
para que o meu nome te ecoe aos ouvidos e te lembre de quem te amou e a quem tu fizeste sofrer, a quem causaste dor e mágoa.
A minha pérola reservou-se novamente no fundo do mar, num abismo tão profundo,
que só o mais puro dos sentimentos a poderá voltar a encontrar e trazer-la à superfície.
Esta pérola, que por ser minha, brilha e ilumina o novo dia que se avizinha.
Não tenho mais senão pena. Pena de ver-te sucumbir como uma cobra,
engasgada com o próprio veneno.
Morre! Morre e abandona-me. Só assim poderei voltar a emergir das profundezas
Onde tu um dia me deixaste . . .
Edward Sarmento
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
A rua onde me encontro
A estrada onde passei, não existe.
Onde me encontro, as folhas do Outono, outrora vivo, são bailarinas russas, com pés dançantes ao som do vento.
Na rua onde me encontro, vejo o amor, puro, sem qualquer tipo de fingimento. Duas mãos dadas;oh, uma caricia. E por fim um beijo. Um doce e carinhoso beijo, selando a paixão daquele casal.
Na rua onde me encontro, o cheiro a cigarrilha, daquele senhor de boina, que não conheço, persegue-me o olfacto e, não me deixo de questionar se o tempo é como a cigarrilha. Será? Sim, em certos aspectos que, pretendo não revelar.
Sinto-me angustiado, triste.
Apercebo-me que na rua onde me encontro, o amor do casal alegra-me o coração. Que as folhas são a melodia do adeus, que me embala, que aquela maldita cigarrilha é como o tempo, o tempo da vida. No último sopro, tudo acaba e, a chama antes viva e fogosa, se apaga por fim.
Dou-me conta mais uma vez, que a rua onde me encontro, já não é a mesma de antigamente, porque envelheci, maldita cigarrilha. Envelheci e estou sozinho, escutando a doce melodia das pequenas bailarinas russas, trazidas pelo Outono.
Sou velho, mas na rua onde me encontro, os cheiros intensificam-se. Maldita cigarrilha novamente. Mas ainda bem. Tal como eu, a cigarrilha ainda vive, ainda tem chama. O cheiro da relva mudou. Está fresca. Sinto-a molhada, ainda que não lhe toque.
O tempo, sinto o tic tac da minha vida a palpitar frequentemente. A chama da cigarrilha está por fim a pedecer. Devo ir-me, e recordar-me, da rua onde um dia me encontrei. . .
Edward Sarmento
Onde me encontro, as folhas do Outono, outrora vivo, são bailarinas russas, com pés dançantes ao som do vento.
Na rua onde me encontro, vejo o amor, puro, sem qualquer tipo de fingimento. Duas mãos dadas;oh, uma caricia. E por fim um beijo. Um doce e carinhoso beijo, selando a paixão daquele casal.
Na rua onde me encontro, o cheiro a cigarrilha, daquele senhor de boina, que não conheço, persegue-me o olfacto e, não me deixo de questionar se o tempo é como a cigarrilha. Será? Sim, em certos aspectos que, pretendo não revelar.
Sinto-me angustiado, triste.
Apercebo-me que na rua onde me encontro, o amor do casal alegra-me o coração. Que as folhas são a melodia do adeus, que me embala, que aquela maldita cigarrilha é como o tempo, o tempo da vida. No último sopro, tudo acaba e, a chama antes viva e fogosa, se apaga por fim.
Dou-me conta mais uma vez, que a rua onde me encontro, já não é a mesma de antigamente, porque envelheci, maldita cigarrilha. Envelheci e estou sozinho, escutando a doce melodia das pequenas bailarinas russas, trazidas pelo Outono.
Sou velho, mas na rua onde me encontro, os cheiros intensificam-se. Maldita cigarrilha novamente. Mas ainda bem. Tal como eu, a cigarrilha ainda vive, ainda tem chama. O cheiro da relva mudou. Está fresca. Sinto-a molhada, ainda que não lhe toque.
O tempo, sinto o tic tac da minha vida a palpitar frequentemente. A chama da cigarrilha está por fim a pedecer. Devo ir-me, e recordar-me, da rua onde um dia me encontrei. . .
Edward Sarmento
terça-feira, 31 de maio de 2011
Um dia, talvez...
Cheirar a terra e ficar extasiado com tanta pureza,
sujar a roupa e ouvir os ralhetes insistentes da minha mãe de que devia ter mais cuidado.
Sinto falta de correr ao sabor do vento, de trepar ás árvores e sentir me o Tarzan.
Sinto falta de sentir o cheiro do mar, que hoje já não me parece o mesmo.
As pessoas com quem convivo mudaram.
Amadureceram, modificaram comportamentos, alimentam-se de estereótipos, tal como eu.
Mas ás vezes gostava de me voltar a sentir como uma criança.
Adormecer no colo quente da minha avó,
aconchegar-me ao meu ursinho teddy, que ainda hoje guardo com ternura.
Adorava poder voltar a brincar e esquecer me que o tempo passa.
Adorava fugir ás responsabilidades, voltar a ter os meus heróis e princesas que eu admirava nos contos de fadas.
Amanhece e apercebo me da minha idade,
Citando Oscar Wilde: "Para recuperar a minha juventude era capaz de fazer tudo no mundo, excepto ginástica, levantar-me cedo ou ser respeitável".
Quero voltar a ser uma criança, voltar a não ter preocupações,
voltar a acreditar que os contos de fada se vão tornar realidade e que serei, um dia, no futuro, feliz.
Não que hoje não o seja, mas nunca será o mesmo que foi quando era uma criança pequena.
Quero a minha chucha, quero a minha almofada, o meu urso, o meu colo e a minha canção de embalar.
Um dia, quem sabe, isso poderá voltar, nem que seja em sonhos, ou em realidade, por um curto período de tempo...
Um dia, talvez...
sábado, 11 de dezembro de 2010
Uma vida
Por muito difícil que seja para nós enfrentarmos os difíceis obstáculos que a vida nos trás, há algo que temos que ter em conta, quando procuramos o caminho rumo á felicidade.
Temos que ter em conta que esses obstáculos servem para nos fazer crescer, para nos amadurecer e ajudar a encontrar o nosso rumo na vida.
Quando pensamos que o mundo está todo contra nós, estamos enganados. O mundo esta-se literalmente a "cagar" para nós. Se não formos nós a lutar por nós próprios, ninguém luta, ninguém nos dá a mão.
Temos que seguir em frente, erguer a cabeça e seguir os nossos sonhos, ainda que nos pareça, á primeira vista, a coisa mais difícil; ainda que as lágrimas persistam em cair, ainda que a raiva se acumule a cada dia que passa. A vida é uma jornada que temos que desenhar a cada dia que passa. A nossa felicidade tem que ser superior a isso tudo.
Por muito que te custe acreditar, também eu me apaixonei por ti; também eu adorava aquele sorriso que o teu rosto contemplava.
Mas fui um fraco, ainda o sou, e tive receio de dizer o que sentia. Sofri ao ver a tua tristeza estampada no rosto; chorei ao perceber a tristeza que desabrochavam das tuas palavras e... quando finalmente quis amar-te, já era tarde.
Desculpa, tive que te deixar partir. Hoje ainda penso que fui um idiota, pois só dou valor aquilo que perdi, quando tudo já está perdido, e desperdiço uma vida, um amor, um sentimento, por culpa da minha falta de coragem, do meu medo de amar, do meu receio de me entregar.
Agora o que me resta?
Nada senão pedir te desculpa pelo tempo que te fiz perder, pelos transtornos que te causei, que sei que causei, e pela felicidade que tirei.
Fiz com que perdesses uma vida, que apesar de utópica, te trazia um sorriso no rosto.
Perdoa-me. Nunca foi minha intenção magoar-te.
Desejo-te as maiores felicidades do mundo, e um conselho. Não desistas da felicidade, não desistas de um amor porque o teu mundo não te aceita. Caga para o teu mundo, como TODO o mundo caga para ti e para todos nós.
Um enorme beijinho.***
Eduardo Sarmento
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
